São 941 processos de prefeituras para 6 de câmaras municipais (156,8 : 1), distribuídos entre só 5 câmaras no país. A capacidade jurídica é dos dois Poderes (art. 128 da LPI): a diferença é administrativa.
Marcas públicas municipais no INPI
Todos os processos de marca de prefeituras e câmaras municipais publicados pelo INPI na última década, do país à cidade. Escolha uma região, um estado e um município para ver cada pedido, sua situação e os despachos publicados.
População: IBGE, estimativas da população residente com data de referência em 1º de julho de 2026, publicadas no Diário Oficial da União (DOU).
Bandeiras: acervo de bandeiras estaduais e municipais reunido pela pesquisa; alguns municípios ainda não têm bandeira no acervo.
Mapa: malha municipal do IBGE, simplificada para exibição (Pinto Bandeira/RS não consta da malha e aparece só na lista do estado). Ao aproximar o mapa do Brasil, os municípios aparecem automaticamente.
Marcas: o nome traz o início da marca conforme a extração; nomes longos terminam em reticências e devem ser conferidos no pePI.
Situação: a do último despacho com efeito publicado até a RPI 2.869; despacho posterior, até 20/10/2026, aparece no detalhe como atualização.
O que os dados mostram
Os números mostram o que aconteceu, não o porquê. Cada achado leva ao recorte correspondente no mapa ou nas análises.
Dos 343 processos com desfecho diverso, 261 (76,1%) caíram por gestão do processo: pagamento, prorrogação e documentos. Só 82 (23,9%) foram recusados pelo sinal escolhido.
A classe 41 reúne 439 processos. Com a 35 e a 39, as três somam 66,5%. O perfil é de comunicação pública e promoção territorial, mais do que de produto comercial.
Eram 36 em 2015: cerca de 3,9 vezes mais. Só 2025 concentra 26,2% dos 541 pedidos depositados entre 2015 e 2025.
Sul e Sudeste somam 835 processos. RS sozinho tem 306 (32,3%). Amapá, Piauí, Rondônia e Roraima não têm nenhum processo no recorte.
Todos os processos de Gramado/RS terminaram o recorte com resultado favorável: registra nome e logotipo, renova no prazo e cobre as classes do turismo.
Análises da pesquisa
Séries, distribuição territorial, desfechos, prazos e titulares. Cada bloco traz a aba da planilha de origem; linhas de tabela e itens de ranking abrem o recorte no mapa.
Depósitos, deferimentos e concessões por ano
Eventos anuais, não mutuamente exclusivos. Os depósitos passaram de 36 (2015) para 142 (2025).
Estados com mais processos
Cinco estados reúnem 773 processos (81,6%); as outras 17 UFs com registro somam 174.
Sul e Sudeste: 88,2%
Nordeste, Centro-Oeste e Norte somam 112 processos (11,8%); o Norte tem 4.
Os municípios com maior volume
Os 12 primeiros reúnem 229 processos (24,2%), com empate no 12.º lugar entre Farroupilha, Socorro e Lages. Vários são destinos turísticos consolidados, o que sugere relação entre atividade marcária e diferenciação territorial, sem que os dados permitam afirmar causalidade.
Situação registral dos 947 processos
Menos da metade (44,1%) terminou o recorte com registro concedido, em vigor ou deferido. Registros que caducaram por falta de prorrogação contam como desfecho diverso.
Situação detalhada ao fim do recorte
Clique em uma linha para ver no mapa só esse grupo de situação.
Por que o INPI indefere
Inciso extraído do texto dos 97 despachos de indeferimento do recorte. Metade esbarrou em marca anterior; um quarto foi frase de propaganda. Dos recursos julgados, 14 foram providos e 14 negados.
Quanto tempo leva no INPI
Medianas em meses corridos, do depósito à primeira decisão de mérito, nos processos em que o prazo pôde ser medido.
Processos por classe NCL
A classe 41 domina
Classe 41 (educação, cultura, eventos): 439 processos (46,4%). Com a 35 (146) e a 39 (45), 630 processos (66,5%).
Classe, apresentação e natureza por região
Classe considerada: a primeira publicada do processo. Seis pedidos são de marca coletiva e dois de certificação.
A assimetria entre os dois Poderes
Quantos municípios de cada estado já protocolaram
ES (19,2%), SC (17,3%) e RS (16,7%) têm as maiores proporções. Clique na linha para abrir o estado no mapa; clique no cabeçalho para ordenar.
Os 338 entes com protocolo e seus CNPJs
Prefeituras: CNPJ do Município no cadastro de entes do Tesouro Nacional (Siconfi), conferido com a pesquisa de MS. Câmaras: CNPJ da própria Câmara (Interlegis e consulta pública). Confira no cartão CNPJ da Receita Federal antes de usar em documento oficial.
Como a base foi montada
- Fonte
- XML da seção de Marcas das RPIs n.º 2.296 a 2.869 (jan/2015 a dez/2025), baixado de revistas.inpi.gov.br em 23/10/2026 (574 revistas).
- Universo
- Processos com ao menos uma publicação no recorte cujo titular é o Município ou Prefeitura (Executivo) ou a Câmara Municipal (Legislativo), com UF informada. Ficam fora o DF, autarquias, fundações, empresas públicas, secretarias e demais órgãos com titularidade própria, consórcios, associações, sindicatos e entidades privadas que citam o município no nome.
- Município
- Nome do titular comparado com a lista oficial do IBGE, usando a UF para separar homônimos; grafias atípicas conferidas à mão.
- Situação
- Último despacho com efeito publicado até a RPI 2.869. Notificações não alteram a situação, salvo recurso pendente contra indeferimento.
- Indeferimentos
- Inciso do art. 124 da LPI extraído do texto complementar do despacho.
- Limites
- Processos sem publicação no recorte não aparecem; titulares sem UF não puderam ser atribuídos; natureza e apresentação não são republicadas em despachos de prorrogação ou extinção.
Base da qualificação x base atual
A base atual veio da leitura integral do XML, e não de busca por termos. Por isso inclui prorrogações e extinções de registros antigos e os pedidos considerados inexistentes publicados no recorte.
| Indicador | Qualificação | Base atual |
|---|---|---|
| Processos únicos | 776 | 947 |
| Municípios distintos | 283 | 335 |
| Câmaras municipais | 4 | 5 |
| Unidades federativas | 23 | 22 |
| % dos municípios brasileiros | 5,1% | 6,0% |
| Sul + Sudeste | 85,7% | 88,2% |
| Situação favorável | 51,8% | 44,1% |
Acervo de marcas
As 394 marcas da base que têm imagem (mistas e figurativas) e as 229 marcas nominativas, estas reproduzidas em gravura no padrão do guia, com a situação ao fim do recorte. Filtre por tipo de marca e pelo motivo do indeferimento, do arquivamento ou da extinção. Clique em uma marca para abrir o processo no mapa.
Decidir o que proteger
Marca é um sinal distintivo que faz as pessoas reconhecerem um serviço, produto, programa, evento ou projeto. Quando o titular é um ente público, como uma prefeitura ou uma câmara municipal, é uma marca pública: pertence à instituição, e não ao gestor. O registro no INPI garante ao titular o uso exclusivo e a gestão da marca, em todo o Brasil, no ramo de atividade protegido.
Cinco regras de ouro
A marca é da instituição
Nada de nome, foto, iniciais ou lema do prefeito ou do presidente da câmara. O pedido sai no CNPJ do ente público.
A marca é da cidade, não do mandato.
Nem tudo precisa ser registrado
Dê preferência ao que dura mais de um mandato, aparece muito ou corre risco de ser copiado por terceiro.
Proteja pouco, mas proteja bem.
Faça o estudo de viabilidade
Antes de lançar um nome: busca de anterioridade no INPI, vedações legais e definição das classes.
Pesquise antes de anunciar.
Registrar é o começo, não o fim
Alguém precisa acompanhar as publicações semanais da RPI e cumprir os prazos.
Pedido sem acompanhamento é pedido perdido.
A marca deve sobreviver ao mandato
O registro vale 10 anos e pode ser renovado sem limite. Trocar o logotipo a cada gestão apaga a memória da cidade.
Marca boa atravessa gestões.
Signos geralmente encontrados no setor público
Em regra, podem ser registráveis
- Marca institucionalLogomarca do próprio órgão (prefeitura, câmara, secretaria).
- Programa públicoNome de programa, projeto educacional ou campanha de saúde.
- Evento oficialFestival, feira ou festa promovida pelo ente.
- Selos, aplicativos e plataformasSelo municipal ou de certificação, aplicativo de serviços, portal ou plataforma digital.
Depende do caso*
- Identidade territorialNome da cidade, epítetos urbanos, apelidos e slogans turísticos.
- Identidade visual de governoLogotipo, cores e assinatura visual da gestão.
* Pode ser registrado se houver sinais distintivos suficientes, sem traços de promoção pessoal nem enquadramento nas vedações do art. 124 da LPI.
Não registráveis ou vedados**
- Nome genéricoExpressão comum, sem suficiente forma distintiva (LPI, art. 124, VI).
- Símbolos oficiaisBrasão, bandeira e hino, inclusive em parte, até pelo próprio ente (LPI, art. 124, I).
- Promoção pessoalNome, foto, lema ou slogan da gestão (LPI, art. 124, VII e XV; CF, art. 37, § 1.º).
** São as vedações mais usuais para entes públicos, não as únicas: o art. 124 traz outras, como imitação de marca anterior (XIX) e falsa indicação de procedência (X).
Nominativa: protege as palavras, em qualquer letra ou cor. Mista: protege o conjunto de palavras e desenho. Também existem a figurativa (só o desenho), a tridimensional (a forma do objeto) e a de posição; para órgãos públicos, as mais usadas são a nominativa e a mista.
- Uso exclusivo no país, nos serviços escolhidos
- Recusa de pedidos parecidos feitos por outros
- Base para autorizar parceiros e patrocinadores
- Proteção por 10 anos, renovável sempre
- Não garante exclusividade sobre palavras comuns, como "festa"
- Não garante que ninguém vai copiar: é preciso vigiar
- Não é licença para promover o gestor
- Não é proteção eterna: sem renovação, acaba
Devo registrar?
Responda às quatro perguntas, nesta ordem. Um "não" tira o sinal do caminho do registro e mostra um caso real. Registre cada resposta por escrito, com data, no processo administrativo do sinal: um "não" bem justificado também protege o gestor.
Pode ou não pode?
A registrabilidade é analisada caso a caso pelo INPI, conforme o sinal, os serviços pedidos e as marcas já existentes. Ainda assim, os motivos se repetem: de 2015 a 2025, o INPI negou 97 pedidos de prefeituras e câmaras. Metade esbarrou em marca anterior (art. 124, XIX); um quarto foi sinal de propaganda (art. 124, VII). A imagem e a situação de cada caso vêm da base da pesquisa.
Exemplo: indeferimento do processo 921831676 (Dois Irmãos/RS) como sinal de propaganda, com o fundamento legal no texto do despacho: "A marca é constituída por sinal ou expressão de propaganda, irregistrável de acordo com o inciso VII do art. 124 da LPI". Fonte: RPI n.º 2.649, fl. 3159. Nos cartões de processo do mapa, cada indeferimento traz o inciso e o motivo explicado.
Em nome de quem?
Em regra, o registro sai em nome da Prefeitura (Município) ou da Câmara Municipal. O consórcio público é exceção. Use o nome exatamente como consta no cartão CNPJ da Receita Federal; a tabela de entes, nas Análises, traz o CNPJ de cada titular da base.
Prefeitura e secretarias: em nome do Município, com o CNPJ dele.
Câmara: em nome da Câmara, com o CNPJ dela.
Roteiro de vários municípios: consórcio público como titular. A cotitularidade é admitida (Portaria INPI/PR n.º 8/2022, cap. IX), mas exige assinatura de todos ou procurador comum e não cabe em marca coletiva.
Prefeito ou vereador, servidor público, procurador ou advogado contratado, parceira sem autorização do ente.
Como montar o pedido
Quatro escolhas. Na dúvida: marca de serviço, na classe em que o órgão vai usar.
- A formaSó o nome (nominativa), nome com desenho (mista) ou as duas. Também existem a figurativa, a tridimensional e a de posição, menos usadas por órgãos públicos.
- O tipo (natureza)Produto ou serviço identifica o que o próprio titular oferece, e é a predominante entre os entes públicos. Coletiva identifica o que vem dos membros de uma entidade (associação, cooperativa, consórcio) e exige regulamento de uso; Conceição da Barra/ES perdeu 6 marcas coletivas sem regulamento. Certificação atesta conformidade com normas técnicas e exige documentação técnica.
- A classeCada tipo de serviço tem um número na Classificação de Nice (NCL). Cada classe é um pedido e uma taxa diferentes. Mais usadas, apenas como exemplos: 41 (eventos, cultura, esporte), 35 (publicidade, feiras, gestão), 39 (turismo e passeios), 38 (transmissão de TV e rádio), 9 e 42 (aplicativos e sites).
- A descriçãoUse a lista pronta do INPI (especificação pré-aprovada): a taxa cai quase pela metade. Depois do depósito, a especificação não pode ser ampliada nem trocada; só restringida, por petição.
Preparar e protocolar
Antes do protocolo, o pedido passa por decisões internas. Cada uma deixa um registro no processo administrativo do sinal.
Da demanda ao protocolo
- DemandaUm setor propõe proteger um nome, logotipo, programa ou evento.
- Avaliação do interesse públicoA autoridade verifica se o signo atende a interesse público duradouro.
- Designação do servidor responsávelPortaria nomeia o responsável e o eventual suplente pelas marcas.
- Estudo de viabilidadeBusca de anterioridade, vedações legais, classes e número de guias.
- Dotação orçamentáriaConfirmação de crédito para todas as guias previstas.
- Autorização do gestorDecisão motivada do prefeito ou do presidente da câmara (modelo em Ferramentas).
- Etapas do protocoloExecução das seis etapas operacionais, logo abaixo.
Estudo de viabilidade
Responde se o sinal pode ser registrado, em quais classes e quantas guias serão necessárias.
- Acesse a busca de marcas: busca.inpi.gov.br/pePI
- Clique em Marca e escolha a pesquisa (exata ou radical).
- Digite o nome pretendido e, se quiser, a classe NCL.
- Anote número, titular, classe e situação dos parecidos.
- Exata: só a mesma grafia.
- Radical: contém a palavra ou parte dela; a mais segura para o estudo. "MAGIA" encontra MAGIA DO NATAL e MAGIA DE NATAL BLUMENAU.
- Avançada: combina campos com E, OU e NÃO.
- Aproximada: grafias e sons parecidos (NATAL e NATTAL; KIKITO e QUIQUITO).
- Busca de anterioridade com data.
- Vedações do art. 124 da LPI e impessoalidade (CF, art. 37, § 1.º).
- Classes NCL e especificações pré-aprovadas.
- Nota técnica: sinal, resultado, vedações, classes, número de guias, custo e recomendação.
Simulador de custo para a dotação
Valores com o desconto de 50% para órgãos públicos (Portaria INPI/PR n.º 10/2025), na tabela de outubro de 2026. Confira a tabela vigente antes de emitir a guia.
Orçamento e pagamento
- Previsão: a despesa deve estar na LOA, compatível com a LDO e o PPA. Pedido e renovação são despesas de exercícios diferentes.
- Natureza da despesa: ponto a fechar com a contabilidade. Exemplo pelo plano de contas do TCE-MS: 3.3.90.39 (Outros Serviços de Terceiros, Pessoa Jurídica).
- Fluxo: empenho, liquidação e pagamento antes do vencimento da guia, com o comprovante juntado ao processo.
- Câmara: paga com o próprio orçamento, formado pelos duodécimos (CF, arts. 29-A e 168), com o Presidente como ordenador da despesa.
Quem executa o pedido
Pagar a retribuição ao INPI não é contratação e não passa por licitação; contratar quem faça o serviço, sim.
- Execução própria: a procuradoria ou um servidor designado conduz o pedido no e-INPI. É o caminho mais barato.
- Contratação: segue a Lei n.º 14.133/2021, com ETP, estimativa de preço e justificativa. Pelo valor, costuma caber dispensa até R$ 65.492,11 em 2026 (art. 75, II; Decreto n.º 12.807/2025).
- Separe taxas de honorários: o contrato cobre só o serviço e as GRUs são emitidas e pagas pelo próprio ente, garantindo o desconto de 50%.
- Acompanhamento: é possível contratar monitoramento continuado; recomenda-se que vá ao menos até a concessão.
O INPI exige procuração
- Dados do outorgante (Município ou Câmara) e do outorgado, poderes, data, local e assinatura (Código Civil, art. 654, § 1.º).
- Prazo: até 60 dias contados do protocolo, independentemente de aviso do INPI, sob pena de arquivamento (LPI, art. 216, § 2.º). Não confundir com a exigência formal: 5 dias corridos da publicação na RPI.
- Data: igual ou anterior à do protocolo. Se posterior, deve ratificar os atos já praticados (Manual de Marcas, item 5.6.1).
- Anexe o ato de vínculo: contrato, termo de posse do procurador ou portaria de designação.
Precisa de lei?
Não para depositar e pagar a marca própria: basta crédito orçamentário, decisão motivada da autoridade e o rito da despesa.
| Depositar e pagar a marca própria | Não |
| Normatizar o uso institucional | Não: decreto ou ato da Mesa |
| Licenciar a terceiros com contrapartida | Depende da lei local |
| Instituir símbolos oficiais | Sim, lei municipal |
| Pagar por adiantamento | Sim, lei local do regime |
O protocolo em seis etapas
Com as decisões internas tomadas, o pedido é feito pela internet. Recomenda-se que o formulário seja preenchido por um servidor e só enviado depois da conferência de um segundo servidor ou da procuradoria.
Acompanhar e cuidar da marca
O INPI não avisa por carta nem por e-mail: tudo sai na Revista da Propriedade Industrial (RPI), publicada toda terça-feira, e o prazo conta da publicação.
Fluxo processual no INPI
Tudo sai na RPI (Revista da Propriedade Industrial), publicada toda terça-feira; o INPI não avisa por carta nem e-mail. Os prazos contam sempre da publicação.
Clique em uma etapa para ir direto à explicação.
Protocolo. Gera o número do processo e a data de depósito. Guarde o comprovante.
Exame formal*. Verifica apenas as condições formais do protocolo (dados do requerente, do procurador e da marca, classe e documentos), sem avaliar se a marca pode ser registrada (Manual de Marcas, item 4). Se houver falha, o INPI pode pedir:
- Procuração ausente ou com vício
- Ato de vínculo ou de representação
- Nova imagem da marca, no padrão
- Correção de dados do titular ou da classe
Prazo: 5 dias corridos da publicação da exigência (LPI, art. 157; Manual de Marcas, item 4.3). Não cumprida, o pedido é considerado inexistente.
Atenção: GRU não paga ou paga após o protocolo gera indeferimento de plano.
Publicação do pedido e oposição. Publicado o pedido, abre-se o prazo de 60 dias para a oposição: é o momento de saber se algum interessado é contra o registro pedido. Fundamentos mais comuns (LPI):
- Marca anterior parecida (art. 124, XIX)
- Uso anterior de boa-fé (art. 129, § 1.º)
- Marca notoriamente conhecida (art. 126)
- Demais vedações do art. 124
Exame de mérito. É aqui que o INPI avalia, de fato, se a marca pode ser registrada (Manual de Marcas, item 5.7; Portaria INPI/PR n.º 8/2022, art. 25):
- Liceidade, distintividade e veracidade
- Disponibilidade (marcas anteriores)
- Oposições e manifestação
- Documentos obrigatórios
Exigência de mérito (etapa eventual: pode ou não ocorrer). Se o INPI precisar de ajuste ou esclarecimento, pode pedir:
- Adequar ou restringir a especificação
- Comprovar legitimidade (LPI, art. 128)
- Autorizações (nome, imagem, obra)
- Regulamento de uso (coletiva ou certificação)
- Esclarecer elementos da marca
- Outros documentos do despacho
Prazo: 60 dias da publicação da exigência (LPI, art. 159; Manual de Marcas, item 5.19). Não cumprida, o pedido é arquivado.
Decisão. O INPI decide o pedido e, se houver, julga a oposição.
Recurso: 60 dias da publicação da decisão, com nova GRU; o INPI reexamina tudo.
Concessão e certificado (7 e 8).
* Pedidos deferidos a partir de 22/06/2025 (Portaria INPI/PR n.º 10/2025).
Renovação. No último ano de vigência ou nos 6 meses seguintes, com taxa maior.
* Prazos contados da publicação na RPI. Após o exame formal, o processo passa a constar da base do INPI.
Tempo até a decisão
Calculadora de prazo
O que fazer em cada despacho
| Despacho | Prazo | O que fazer | Se não fizer |
|---|---|---|---|
| Exigência formal | 5 dias corridos | Cumpra o que foi pedido. | Pedido inexistente. |
| Exigência de mérito | 60 dias | Responda ao INPI. | Arquivamento. |
| Oposição de terceiro | 60 dias | Manifeste-se; recomenda-se cientificar a procuradoria, se não houver serviço especializado. | Decisão sem a defesa do órgão. |
| Indeferimento | 60 dias | Avalie o recurso. | Recusa definitiva. |
| Deferimento parcial | 60 dias | Avalie recorrer da parte negada. | Registro só com o que foi deferido. |
| Procuração não juntada | 60 dias | Conta do protocolo, sem aviso do INPI. | Arquivamento. |
| Deferimento | nenhum | A concessão é automática desde junho de 2025. Não cabe recurso. | |
| Fim da vigência | + 6 meses | Pague a prorrogação. | O registro acaba. |
Os seis erros que mais derrubam pedidos
Na última década, 343 processos se perderam. Seis erros explicam todos eles. Percentuais sobre os 343.
Um esquecimento derruba tudo
As marcas JOIN.VALLE e JOINVALLE foram pedidas em quatro classes cada. Os oito pedidos tramitaram e caíram juntos.
Use bem a marca
O registro protege a marca contra os outros. Contra o mau uso dentro do próprio órgão valem uma norma simples e um manual de identidade visual.
- Decreto ou resolução: quem cuida, como se decide e o que é proibido.
- Manual de identidade: versões do logotipo, cores e usos proibidos.
- Cláusulas contratuais: autorizam e disciplinam o uso por parceiros e patrocinadores.
- Não use: nome, foto, assinatura, iniciais ou lema do gestor; referência a mandato ("Gestão 2025 a 2028"); cores ou símbolos de partido.
Prorrogação do registro
O registro vale 10 anos, contados da concessão, e pode ser prorrogado por períodos iguais e sucessivos, sem limite (LPI, art. 133). O pedido deve ser feito no último ano de vigência; se não for, ainda pode ser feito nos 6 meses seguintes, com retribuição adicional (art. 133, §§ 1.º e 2.º). Sem a prorrogação, o registro se extingue (art. 142, I) e a marca fica livre para terceiros. De 2015 a 2025, 104 registros de 71 municípios acabaram assim.
valor cheio R$ 1.000; pago no último ano
valor cheio R$ 2.000; até 6 meses após o fim
- Acesse o sistema de emissão da GRU com o login do órgão no e-INPI.
- Emita a GRU com o código 374 (prazo ordinário) ou 375 (prazo extraordinário), informando o número do registro. Uma guia por registro (classe).
- Pague a guia dentro do prazo. Não há formulário de petição, novo exame nem nova análise de mérito: o pagamento da GRU é o próprio pedido.
- Acompanhe a publicação da prorrogação na RPI e guarde o certificado, emitido em formato digital.
Vigie, defenda e autorize
O INPI não avisa quando alguém pede uma marca parecida. Quem vigia é o próprio órgão: todo mês, pesquise nomes parecidos, acompanhe produtos, perfis e eventos que usem o nome e, ao fim de cada contrato, verifique se o ex-parceiro parou de usar.
| Problema | Caminho | Prazo |
|---|---|---|
| Uso do nome sem pedido no INPI | Notificação extrajudicial; se não resolver, ação judicial | imediato |
| Pedido parecido publicado | Oposição no INPI | 60 dias |
| Registro de terceiro recente | Nulidade administrativa no INPI | 180 dias |
| Registro de terceiro mais antigo | Ação judicial de nulidade | 5 anos |
| Registro de terceiro sem uso | Pedido de caducidade | após 5 anos |
Quem quiser usar precisa de autorização escrita
- Produtora do evento: cláusula no contrato, só durante ele.
- Patrocinador: cláusula no termo de patrocínio.
- Associação de produtores: termo de autorização ou licença.
- Muitos comerciantes: credenciamento público com regras iguais.
Quando a gestão muda
Mudam as pessoas e as senhas, mas os prazos do INPI continuam correndo. Um termo de transição de uma página evita perdas (modelo em Ferramentas).
- Responsável: atualiza a lista de marcas e os prazos dos próximos 6 meses.
- Gestão que sai: entrega o termo de transição.
- Gestão que entra: confirma o responsável e o suplente. É sempre recomendável designar um servidor efetivo, porque ele permanece quando a gestão muda.
- Procuradoria: revisa procurações e acessos ao INPI.
- Chefe do Poder: conhece as marcas antes de pensar em trocar o logotipo.
Câmaras, municípios pequenos e eventos
Orientações para quem tem menos estrutura ou menos tradição de registro.
Para as câmaras municipais
processos de 5 câmaras no Brasil (0,6% do total)
processos de prefeituras no mesmo período (99,4%)
- Titular: a Câmara, no CNPJ dela.
- Autoriza e ordena a despesa: a Presidência.
- Política de uso: resolução ou ato da Mesa.
- Orçamento: duodécimos.
O que a câmara pode proteger
Os exemplos e as classes indicadas são apenas sugestivos: a classe depende dos serviços que a marca vai identificar, e cada signo merece estudo de viabilidade caso a caso.
Programas legislativos classes 41 e 35
Câmara Mirim, Parlamento Jovem, Vereador por um Dia, Câmara Itinerante. Nomes genéricos tendem a ser descritivos: prefira um nome próprio.
Comunicação institucional classes 38 e 41
TV, rádio, podcasts e programas da Casa. Classes usuais: 38 (transmissão) e 41 (produção).
Logomarca do órgão classes 35 e 45
Logotipo usado em documentos, site, redes, TV e plenário. Brasão ou bandeira, mesmo em parte, não são registráveis.
Eventos institucionais classe 41
Sessões solenes temáticas, semanas do Legislativo, prêmios e comendas. Medalhas e insígnias oficiais são vedadas (art. 124, I): registre o nome do prêmio, não o símbolo.
Escola do Legislativo e cidadania classes 41, 9 e 42
Escola, cursos e EAD, Câmara nas escolas, ouvidoria, aplicativos e portais. Sem caso no Legislativo da base; costumam exigir as classes 41 e 9 ou 42.
Como fazer o inventário
Percorra o site, as redes, os atos da Mesa e as resoluções que criaram programas e os contratos de comunicação. Liste cada sinal, há quanto tempo é usado e se dura mais de um mandato. Depois, aplique o "Devo registrar?".
Para os municípios pequenos
Não é preciso um setor dedicado à gestão de marcas: basta um servidor responsável capacitado e um controle de prazos.
- Designe por portariaum servidor responsável e, se possível, um suplente.
- Registre só o essencialsinais realmente usados e perenes, começando pelos mais relevantes.
- Economizeespecificação pré-aprovada, poucas classes e execução própria.
- Acompanheas publicações semanais da RPI.
Eventos e marca da cidade
Quase metade das marcas municipais (46,4%) é de eventos e cultura. Para proteger um evento, registre antes de fechar parcerias e, como reforço, oficialize o evento por lei ou decreto.
- Calendário oficialInclua o evento no calendário e, se possível, oficialize-o por lei ou decreto.
- Nome próprioNão apenas descritivo: "Festival da Primavera" (Pomerode/SC) foi indeferido.
- Deposite antes de anunciar parceirosQuando pertinente: em regra, classe 41 (eventos) e, se for o caso, 35 (feiras) ou 43 (alimentação).
- Mantenha a marca em nome do enteA lei admite titular autorizado (art. 124, XIII): produtoras não podem registrá-la sem autorização.
- Mantenha o nomeentre edições e entre gestões.
Três caminhos, conforme a fase
- Pedido ainda em exameOposição em 60 dias, com prova de que o evento é oficial e de que o nome é usado pelo Município (art. 124, XIII e XXIII).
- Uso anterior de boa-féSe o Município já usava o nome há pelo menos 6 meses antes do pedido do terceiro, para os mesmos serviços, pode reivindicar o direito de precedência, comprovando o uso e depositando pedido próprio (art. 129, § 1.º).
- Registro já concedidoNulidade administrativa em até 180 dias da concessão ou ação de nulidade em até 5 anos (arts. 169 e 174).
Quando o nome da cidade entra na marca
O nome da cidade pode compor a marca, com três cuidados:
- Não pode induzir falsa indicação de procedência(LPI, art. 181; Manual de Marcas, item 5.11.10).
- Somado a um termo comum, protege o conjuntoe não cada palavra isolada (Manual de Marcas, item 5.9.2).
- Apelidos exigem estudo de viabilidadeantes do lançamento, e nunca se registra um apelido da comunidade para impedir seu uso pelos moradores.
Checklist, modelos e referências
Para usar no processo administrativo do sinal. O checklist fica salvo neste navegador.
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Despacho, ficha e termo de transição
Redação meramente sugestiva: adapte à regulamentação e à praxe locais.
Considerando o interesse público na proteção do sinal distintivo [nome da marca], utilizado em [programa, evento ou serviço] desde [ano], sem referência a nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores (art. 37, § 1.º, da Constituição Federal); considerando a legitimidade do [Município de X] para requerer o registro (art. 128 da Lei n.º 9.279/1996) e a redução de 50% prevista na Portaria INPI/PR n.º 10/2025 para órgãos públicos em atos próprios; AUTORIZO o depósito do pedido de registro nas classes [números], e o pagamento das retribuições correspondentes, no valor total de R$ [valor], à conta da dotação [ação / natureza da despesa / fonte], e DESIGNO [nome e cargo] como responsável pelo acompanhamento do processo na Revista da Propriedade Industrial. [Local], [data]. [Nome] [Prefeito Municipal / Presidente da Câmara Municipal]
FICHA DE CONTROLE DE MARCA Marca: [nome] Titular: [Município ou Câmara] CNPJ: [número] Processo(s) no INPI: [número] Classe(s): [número] Data do protocolo: [data] Situação: protocolado, ainda não concedido Responsável pelo acompanhamento: [nome e setor] Suplente: [nome e setor] Próximo prazo: [despacho, RPI, data-limite] Renovação prevista para: [mês/ano] (alerta 18 meses antes)
TERMO DE TRANSIÇÃO DE MARCAS [Prefeitura Municipal / Câmara Municipal de X] 1. Marcas do órgão (uma linha por processo): marca | processo | classe | situação | próximo prazo nos próximos 6 meses 2. Cadastro no e-INPI: responsável pelo acesso, suplente e e-mail cadastrado (o acesso pertence ao órgão; não registre a senha, que é pessoal). 3. Procurações vigentes e seus outorgados. 4. Renovações previstas no calendário e no orçamento. 5. Responsável que sai: [nome, cargo] Responsável que entra: [nome, cargo] Suplente: [nome, cargo] Ciência da autoridade que assume: [nome, cargo] [Local], [data].
Precisa de lei autorizativa?
Não para depositar e pagar a marca própria. A lei só entra em casos pontuais, como instituir símbolos oficiais ou licenciar com contrapartida, conforme a lei local.
É preciso advogado?
Não. O ato não é privativo de advogado, e um servidor designado pode conduzir o pedido. Ainda assim, é altamente recomendável que seja feito por um jurídico especializado na área.
Sem registro, não há proteção?
Há alguma: a LPI impede que terceiros registrem, sem autorização, a sigla de órgão público (art. 124, IV) e o nome de evento oficial (art. 124, XIII). Mas o registro facilita a defesa (SOUZA; ROCHA, 2019; ANTONIO JUNIOR, 2021).
Quanto tempo leva?
Do depósito à decisão de mérito, a mediana é de cerca de 22 meses (22,1) sem oposição e de mais de quatro anos (52,6 meses) com oposição, nos processos da base em que o prazo pôde ser medido.
A nova gestão pode trocar a marca?
Pode, com justificativa técnica escrita. Trocar só para marcar a gestão fere a impessoalidade (CF, art. 37, § 1.º) e pode caracterizar improbidade administrativa (Lei n.º 8.429/1992, art. 11, XII).
Guia: MAZZINI, Gabriel de Araújo. Marcas públicas municipais: guia de boas práticas para prefeituras e câmaras municipais. Campo Grande: PROFNIT/IFMS, 2026.
Base de dados: MAZZINI, Gabriel de Araújo. Pesquisa nível Brasil: marcas públicas municipais. Base de processos de prefeituras e câmaras municipais publicados nas RPIs n.º 2.296 a 2.869. Campo Grande: PROFNIT/IFMS, 2026. Planilha eletrônica.
ALMEIDA, Virgínia Maria Soares de; CRUZ, Tânia Cristina da Silva. Desafios na gestão de marcas de instituições públicas de ensino superior: o caso da Universidade de Brasília. Cadernos de Prospecção, Salvador, v. 19, n. 1, p. 112-124, jan./mar. 2026.
ANTONIO JUNIOR, Valter Farid. Marcas da Administração Pública: exploração econômica, mecanismos de proteção e reparação de danos materiais e morais. 2021. Tese (Doutorado em Direito Civil), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.
BRASIL. Decreto n.º 12.807, de 29 de dezembro de 2025. Atualiza os valores estabelecidos na Lei n.º 14.133/2021. Brasília, DF, 2025.
BRASIL. Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964. Normas gerais de direito financeiro. Brasília, DF, 1964.
BRASIL. Lei n.º 8.429, de 2 de junho de 1992. Improbidade administrativa. Brasília, DF, 1992.
BRASIL. Lei n.º 9.279, de 14 de maio de 1996. Regula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Brasília, DF, 1996.
BRASIL. Lei n.º 9.504, de 30 de setembro de 1997. Normas para as eleições. Brasília, DF, 1997.
BRASIL. Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Brasília, DF, 2002.
BRASIL. Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000. Responsabilidade na gestão fiscal. Brasília, DF, 2000.
BRASIL. Lei n.º 11.107, de 6 de abril de 2005. Consórcios públicos. Brasília, DF, 2005.
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BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Portaria GM/MDIC n.º 110, de 5 de maio de 2025. Tabela de retribuições do INPI. Brasília, DF, 2025.
BRASIL. Secretaria do Tesouro Nacional; Secretaria de Orçamento Federal. Portaria Interministerial n.º 163, de 4 de maio de 2001. Brasília, DF, 2001.
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CAMBORIÚ. Secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável. Termo de Referência n.º 056/2025/SMDES: registro das marcas AMABILÍSSIMO e CAMBORIÚ PURA ENERGIA no INPI. Camboriú, 8 set. 2025.
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SOUZA, Paulo Armando Innocente de; ROCHA, Rafael Marques. A proteção aos nomes e símbolos de eventos oficialmente reconhecidos. Consultor Jurídico, São Paulo, 18 ago. 2019.